"Eu canto em português errado. Acho que o imperfeito não participa do passado" (R.R)

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29 de setembro de 2010

(Indig)nação às claras!



Dezoito anos, maranhense, brasileira. Assim diz o registro. Maranhense e brasileira com orgulho. Isso não está claro lá. Maranhense e brasileira com orgulho, não cega. Deixo claro.

Eu de fato acho o Maranhão um estado fantástico e o Brasil um país sem igual. Não sou do tipo que procura supervalorizar tudo de fora. Avançamos um bocado. Pudera.. não nos faltam razões para tal. Mas definitivamente só isso não é motivo para comemoração. Eu não sou cega.

Não é porque o nosso país é cheio de beleza, “gigante pela própria natureza” e porque a minha rua é asfaltada e bonitinha e porque na minha casa tem água todo dia que eu tenho que fechar os olhos pra enxurrada de coisa errada que acontece. E isso não é pessimismo.

Enxergar que nada que se faz com dinheiro público é favor, e sim obrigação. Perceber que se o estado cresce é por que o povo trabalha pra isso e não porque fulano é muiitoo bonzinho e descobriu que o estado tinha possibilidade de instalar refinarias e aprimorar determinados setores da indústria. Fulano ou fulana que governa um estado, está lá porque a maioria quis (democracia..) e deve trabalhar para todos, não porque ele é bonzinho demais, bonitinho demais, ou porque tem muito amor pelo povo do estado. Ele tem acima de tudo uma obrigação e compromisso. Afinal, nós pagamos o salário dele e saber de tudo isso também é obrigação. Obrigação não de quem cursa humanas, é filiado a um partido, ou quem necessariamente goste de política. É obrigação de todo mundo.

Fazer de conta que não é com a gente. Inúmeras vezes é essa a nossa opção. E enquanto a gente faz de conta que não é com a gente eles fazem de conta que não é com eles. A gente anda de olhos vendados e tropeça. Na educação, na saúde, no transporte.. e em tudo mais que eu poderiia citar aqui mas que você já ouviu demais desde agosto. É.. se o(a) governador(a) adoece ele não vai para o Socorrão e o filho dela(e) não estuda em escola pública. Andar de ônibus também não está nas pretensões dela(e)

Querem governar o Maranhão para se sentirem donos dele. Perder o doce é f****, né? Quem já tem ele nas mãos a 45 anos, quer mais quatro e ainda promete fazer “o melhor governo da sua viida’. Mas poxa.. ela só sentou na cadeira de governadora por 10 anos, fora outros cargos políticos. Familia e grupo dela só governaram o Maranhão por mais de 45 anos. Realmente ela precisa de outra chance, afinal ela ama o Maranhão. Tenha DÓ. Além do dó, tenha também RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI. Porque assim a gente dança!

“Mas o Maranhão é um estado pobre, o Brasil também”. É, acho que assim vou terminar concordando com ela.

Não to ganhando nada por esse post. E o candidato em 2º lugar também não me agrada. Fica então implícitito o meu quase apelo, e fica escancaradamente clara a minha indignação. Se é de grão em grão que a galinha enche o papo, é também de quatro em quatro anos que o Maranhão renova contrato com o atraso. Um pouquinho de disposição pra pensar pode ajudar nessa hora!

Falo da candidatura ao governo, mas coincidentemente mantenho minha opinião sobre 1º e 2º candidatos à presidência. É Flávio Dino!(Imparcialidade pra qe te quero...). E seii que corro enormes chances de quebrar miinha cara bonito e e as coisas continuarem como estão por aqui, mas fazer o que além da miinha parte...

E eu sei que esse post é muito pouco, mas muito pouco ainda é mais que nada. Eleição só se decide no diia. Ufaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Botei pra fora!


ah! dá uma olhada também no post de 24/02


5 de setembro de 2010

Admiração.


Dessa vez venho aqui para despejar coiisas minhas. Particulares mesmo. Mas não vou redigir nada de óbvio.. o óbvio é tão pouco interessante! Uma palavra, um sentimento se sobressaiu esses últimos tempos e fez alarde entre tico e teco aqui: Admiração. Admiramos o que de alguma forma nos impressiona, nos chama a atenção, o que nos prende (mas tudo isso em conjunto e agregado de valor)... Costumamos ter admiração pelos que consideramos importantes para nós (não menciono apenas as pessoas com as quais mantemos bons relacionamentos ou que nos trazem lembranças boas).A admiração pode lembrar gratidão, mas o sentido da primeira ultrapassa a segunda em muito. Parece algo envolto de mérito, relacionado à diferenciais e particularidades que para cada um, em especial são distintas. Papo longo e sério, eu seii. Mas você não morrerá de tédio até o fim desse post, chegarei às vias de fato.
Sempre achei essa palavra muito significativa. Não é por tudo e nem por todos que se têm admiração. Seletos são os que consideramos dignos de tal. Muito possivelmente eles pertencem ao teu círculo de vivência e de relacionamento - o que não quer dizer que possam não pertencer.Com o tempo você identificou um bocado de coisas que foram edificando essas raízes e tornando sóliidas. Processo leeento, mas que depois de passado parece ter sido quase nada.
É justamente ao "quase nada" que você irá recorrer quando precisar justificar a tal admiração pela tua família que é tão parecida e ao mesmo tempo tão diferente, a admiração por aquela amiga que ainda fala contigo um bocado e ainda tem tempo pra te ouvir e pra te contar o que anda acontecendo na vida dela, mesmo vocês tendo seguido caminhos diferentes depois da escola. Pela tua amiga de anos que cresceu contigo e te viu crescer. Por aqueles que te passaram um bocado de lições e te mostraram que na verdade teu tudo era quase nada e que você precisava crescer um bocado.Por alguém que compartilhou contigo palavras, risos, chateações, horas vagas, te aturou um bocado quando você mesmo(a) achava que talvez nem merecia e que depois acabou sumiindo. Por aquele que tem sempre o dom te arrancar as melhores risadas. Pelos que ainda nas inconstâncias conseguiam a dádiva de conservar lugar cativo e consideração permanente. Por alguém que sabe-se lá por quê conseguia te entender mesmo quando nem tu mesmo (a) conseguia tal. E ainda tem a admiração pelos que tu sequer conheceu mas que te parecem muito comuns e te infuenciaram ou influenciam de perto e constantemente e por tantos outros, que estão ou estiveram contigo por breves ou longos intervalos e que te fizeram ver quanto em comum se pode encontrar nas diferenças. Enfim, a todos os dignos de admiração!

2 de agosto de 2010

Vai um branco?!

Deixei o blog às moscas, confesso. Pensei em excluir, não nego. Mas é que "deu branco" ultimamente. Acabei pensando em um monte de coisas e postar que é bom, necas. Mas fato também é que desde o primeiro post deixei claro que os posts não seriam estilo "fast food", não prometii fazer posts sucessivos em curtos intervalos de tempo, e consequentemente não tenho que cumprir. Me permiti o branco. O branco prolongado e sem culpa. E o meu consolo é saber que não sou a única a ser visitada pelo "branco". Acho que todo mundo já passou por brancos... e quer saber, pode até ser bem válido esse tempo. Não vou me propor a preencher esse espaço sem interesse... Escrever por obrigação não é a minha praia. Tenho o meu tempo e gosto dele. Estarei de volta, quando der na telha, ou seja.. quando o branco passar. Por enquanto estou curtindo ele. :).O bom é que isso não é uma infração.

10 de junho de 2010

Consulta com Camões. Nada romântico

A semana em questão coloriu de vermelho os pixels dos anúncios publicitários da internet, aguçou a criatividade das vinhetas de lojas, resgatou aquelas músicas estilo romântico-fossa e trouxe coraçõezinhos muito vermelhos e bem contornados para todas as vitrines... É. Eu estou falando do dia 12. Nunca se preocuparam tanto com os seus sentimentos, leitor. Aliás, nunca se preocuparam tanto com o seu coração. Bom, no fundo a gente sabe que essa data – como tantas outras do calendário – foi criada para alimentar o comércio., mas já que comecei a falar no assunto, vou esticar um pouco e me arriscar a satirizar..

Imaginei Camões indo ao médico, um clínico geral.

Acomodando-se na cadeira do consultório, a típica pergunta do médico ao paciente:

- O que você está sentindo?

- Doutor, uma série de sintomas tem me atormentado. Pensei em infectologista, imunologista, neurologista, mas não sei. Gostaria que o senhor me encaminhasse ao especialista mais indicado.

- Sou todo ouvidos. Preciso saber os seus sintomas.

- O que eu sinto é um fogo que arde sem se ver, uma ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer, é um andar solitário entre a gente, é nunca contentar-se de contente, é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade, é servir a quem vence o vencedor, é ter com quem nos mata lealdade

O doutor perplexo, ouviu atenciosamente a fala de Camões e ao término da descrição permaneceu dois minutos concentrado, deixando escapar apenas expressões faciais enigmáticas. Quando então esboçou reação que parecia acabar com a aflição de Camões e revelar o problema, apenas disse:

- Gostaria de falar com o acompanhante ou familiar que te trouxe aqui.

Entrando o acompanhante, o médico disse:

- Recomendo que procure um psiquiatra. Conheço um muito bom...

Não sou anti-romântica e nem quero desvalorizar Camões, amigos, mas já que repensar as coisas e o sentido de algumas delas é uma das funções desse blog, achei que caberia aqui um pouco dessa reflexão. Mediante os “sintomas” mencionados por Camões num consultório, o diagnóstico e o encaminhamento do doutor não parecem tão absurdos, concordam?

Loucura ou amor? Parece não haver muita diferença. Dizem até que os dois se conhecem ha muito tempo e andam sempre juntos.Brincadeira a parte, não sou especialista no assunto mas sei que não é preciso muito para saber que o sentimento usado como pretexto para a movimentação do comércio nesse período é bem complexo e jamais se restringiria a um laudo médico. Ainda que fosse de um psiquiatra. Kkkk.

Por hoje é só.

21 de maio de 2010

RÁ-TIM-BUM! 18...

A chegada de uma nova idade. O reencontro com a data em que por convenção diz-se que você veio ao mundo. A constatação que de hoje em diante, quando perguntado por alguém pela sua idade, você terá que substituii-la pelo número seguinte. O retrospecto e a antecipação. A expectativa. A comemoração. O bolo. O parabéns e até o intrometiido com-quem-será. O ovo na cabeça (ainda bem que essa parte sempre foi esqueciida no meu caso). Os presentes. Os ausentes que mandam presentes ou não se recordam, ou ligam, ou permanecem ausentes. Os recados. E você lá. O mesmo, só que legalmente “mais velho”. E você ainda recebe parabéns por isso. Mesmo que ter vindo ao mundo e permanecer nele não tenha dependido de você. Ou pelo menos não só de você.

Diga isso a uma criança de 8 anos, na tão mencionada data... ela não vai te dar atenção provavelmente. Estará ocupada com os olhos vidrados no bolo, ou correndo com os amigos, ou balançando os presentes para descobrir o que é e comemorando quão maior for a caixa. Some 10 anos à criaturiinha mencionada e o discurso de ciima será bem ouvido (ou não). Pois é.. o dia 17 se foi e com ele também foram os 17 (anos) da dona do blog.

Eu descobrii que aniversário de 18 anos é um mar de advertênciias e frases feiitas. Mas que não deixam de ser bem-humoradas . O “ta ficando mais velha, heiin?”, alia-se ao “já pode ser preso”, “já é maior de idaaaaade...” e a outros... eles tomam o lugar do “ta na flor da idade”, “ta ficando grandiinha..”, “como cresceu essa meniina” e outras frases que a gente quando criança escuta meio sem graça e nem dá muita bola.

Outra coisa: Com a idade o aniversário parece perder o brilhantismo e a magiia. A comemoração daquela data já não é tãããããão importante. Ficar atrás de um bolo e soprar a vela parece nostalgia. São fotos e lembranças. A gente vai trocando a celebração da comemoração pela comemoração da idade. Que coiisa... Ah, os dezoito tão mistificados e vangloriados (pelos outros), são apenas os dezoito. Nada mais! Ah.. uma coisa muda: aumenta a responsabilidade.

A partir do dia seguinte.. tudo diferente, mas tudo igual. Teoriia e prátiica. Entre elas apenas um abismo. AHUAHUAH. Nem era pra entender mesmo.. só queriia compartilhar.

-TIM-BUM! 18!

15 de maio de 2010

O último biscoito do pacote


Ai ai... vai assim mesmo, no improviso. Frases populares, com algum fundo de humor me chamam muito a atenção. Chego a passar um bom tempo pensando... Assim como acontecimentos engraçados. Costumo lembrá-los mesmo depois de um bom tempo de terem passado. Dizem que recordar é viver.. Nem sei se concordo. Mas o efeito de lembrar me causa sensação bem próxima a de Crtl C Crtl V do passado no presente. Bom... caraminholas e marmeladas a parte vou agora ao biscoito. Digo, ao último biscoito do pacote, que foi o que me levou a levar os dedos ao teclado desse computador de vontade própria.
Fulano tá se achando o último biscoito do pacote. Beltrano dos Anzóis pensa que é a bala que matou Jhon Lennon, Orgumêno está por cima da carne seca... Quem nunca ouviu? Melhor.. quem nunca riu, ou mesmo diisse?
Popular, de baixo cunho, pouco consistente, inferior, não oficial. Você pode dizer que essas frases são tudo isso e ainda acrescentar: Esse foi o pior post que já li. Mas você só não poderá dizer que não entendeu o que essas frases querem dizer e que elas não transmitiram a mensagem. Pois é... claro que não vamos dizer ao presidente que ele está se achando o último biscoito, ou ao juiz que aquele vizinho que te levou ao tribunal te trata mal por que pensa estar por cima da carne seca. Existe ocasião pra tudo. Sou a favor das boas conversas informais entre amigos. Quebra o gelo, sabe?! O lance é que tem muita gente extremista (essa é uma das palavras que numa conversa informal geralmente eu não usaria), que faz caso por tudo.
Sem pôr o carro na frente dos bois a gente pode se comunicar de forma entendível e por que não(?)... muito bem-humorada. Liberdade... também de comunicação! Engessar a gramátiica, isso sim tá pra lá de antiquado.

13 de maio de 2010

Solidão por L. F. Veríssimo é humor


Foi lendo Ed Morte e outras históriias, livro de Luis Fernando Veríssimo - autor, cronista, humorista, jornalista (enfim, esse escritor muito estimado pela dona do blog, que pretende poupar todos os titulos a ele atribuidos)- que li essa história e resolvi compartilhar com os blogueiros. Se tratando de L. F. Verissimo, devemos esperar uma visão recheada de elementos humorísticos, mesmo quando o assunto a ser tratado poderia exigir seriedade. Tão legaal! Não é a primeira e pelo visto não será a última vez que Luis Fernando Veríssimo dará o ar de sua graça no Repensando. Vou parar com esse cerimonial. O cara já é consagrado. Vamos à crônica:

Solidão

Finalmente liberadas as gravações que a NASA fez das experiências realizadas com o tenente da Marinha John Smith para testar o comportamento humano em condições de completo isolamento durante longos períodos de tempo, iguais ao que o homem terá que enfrentar na exploração do espaço. O tenente Smith foi escolhido pelas suas perfeitas condições físicas e mentais. Foi colocado dentro de um simulador de vôo com comida bastante para dois anos e os instrumentos que normalmente levaria numa missão, inclusive um computador. Todos os dias Smith teria que fazer um relatório verbal para que seu estado fosse avaliado. O que segue são trechos das gravações feitas dos seus relatórios.

Primeiro dia. “Meu nome é John Smith. Estou ótimo. Passei todo o dia me familiarizando com este meu pequeno lar. Já desafiei o computador para uma partida de xadrez. Acho que nos daremos muito bem. (Risadas.) Só tenho uma queixa: esta comida em bisnagas não se parece nada com a comida de mamãe... (Risadas.) Dois mais dois são quatro. Encerro”.

Uma semana depois. “John Smith aqui. Continuo muito bem. Ainda não consegui vencer nenhuma partida de xadrez deste computador. Acho que ele está trapaceando. (Risadas.) Três vezes três é nove. Encerro”.

Um mês depois. “(Risadas.) Meu nome é John maldito Smith. Tudo bem. Um pouco entediado, mas tudo bem. Consegui finalmente ganhar uma do computador, embora ele negue. Vou ter que derrotá-lo de novo para convencer este cretino. Calculei mal e já comi todas as bisnagas de torta de maçã. Agora só tem maldito limão. Dois vezes três são, deixa ver. Seis. Quer dizer... Não. Está certo. Seis. Encerro”.

Dois meses depois. “Vocês sabem quem eu sou. John qualquer coisa. Não agüento mais a arrogância deste computador. Ele não é humano! Insiste que me deu xeque-mates inexistentes e se recusa a admitir que está errado. Tivemos uma briga feia hoje. Dois mais dois são... sei lá. Encerro”.

Quatro meses. “Alô. Tenho provas irrefutáveis de que o computador está tentando boicotar esta missão! Ouvi claramente ele dizer alguma coisa desagradável sobre mamãe. Canta Strangers in the Night em falsete e não me deixa dormir. Não me responsabilizo pelo que possa acontecer. Estou muito bem, lúcido e bem disposto. Com licença que estão batendo na porta”.

Sexto mês. “Meu nome é Smith. Maggie Smith. Por hoje é só”.

Oitavo mês. “(Risadas)”

Nono mês. “Smith aqui. Aconteceu o inevitável. Matei o computador. Estávamos com um problema, onde colocar as bisnagas vazias, e ele fez uma sugestão deselegante. Agora está morto. Não tenho remorsos. Ontem recebi a visita de um vendedor de enciclopédias. Não sei como ele conseguiu entrar aqui. Dois mais dois geralmente é nove.

Encerro”.

Décimo mês. “Meu nome é Brown ou Taylor. Um mais um é umum. Dois mais dois, não. Iniciei um projeto importantíssimo. Com as bisnagas vazias e partes do computador, estou construindo uma mulher”.

Um ano. “Redford aqui. Sinto falta de um espelho para poder ver a minha barba, que está bem comprida. A mulher que fiz de bisnagas vazias e partes do falecido computador ficou ótima mas, infelizmente, nossos gênios não combinavam. Ela foi para casa de seus pais. Dois mais dois...”

Décimo-quarto mês. “Minha barba está tentando boicotar a missão! Faz um estranho barulho eletrônico e várias vezes já tentou me estrangular. Deve ser comunista. Começaram a chegar as enciclopédias que comprei. Tenho jogado xadrez comigo mesmo e ganho sempre”.

Décimo-quinto mês. “Aqui fala Zaratustra. Atenção. Encontrei pegadas humanas dentro da cabine. Estou investigando. Mandarei um relatório depois. Duas vezes três é demais. Encerro”.

No dia seguinte. “Grande notícia. Há outro ser humano dentro da cabine! Seu nome é Smith, John Smith, mas como o encontrei numa terça-feira o chamarei de “Quinta”. Ele não fala, mas joga xadrez como um mestre. (Risadas). Talvez tenha que matá-lo”.

Neste ponto, os cientistas da NASA acharam melhor abrir a cápsula. Encontraram Smith com as mãos em volta do próprio pescoço gritando: “Trapaceiro! Trapaceiro!”

(Luis Fernando Veríssimo)


28 de abril de 2010

Sobrancelhas


O cabelo comprido e a aparência em nada desleixada daquele arranjo masculino pouco comum atraía olhares da borboleta do ônibus ao degrau da descida. Era contradição a figura tão masculina com aqueles cabelos... Era contradição, era o que os olhos - aqueles todos que permaneciam no ônibus ocupando aquelas cadeiras e disputando lugares para por as mãos e se apoiar- gritavam e cochichavam entre si. Todos aqueles olhares reconheciam a similaridade e a sincronia compartilhada entre eles e aqueles outros olhares indiferentes à situação, que não se viam na “vibe” daqueles julgamentos, eram questionados por eles, indagados e quase obrigados a aceitar a sentença que se fazia... . Sobrancelhas assumiam tom de cumplicidade. Sobrancelhas que provavelmente nunca antes haviam se cruzado... O rapaz que era o motivo daquelas conversas silenciosas se escondeu por trás das lentes de óculos que trazia ao rosto. A visão daquele engarrafamento era mais cômoda que a cena daquele julgamento quase unânime dentro do coletivo. Quanta repercussão!

19 de abril de 2010

O que se DIZ...


A facilidade com a qual abrimos a boca para proferir algo é incrível. O ato da fala para alguns é tão rotineiramente simplório que a quantidade de coisas que se fala adquire valor superior ao teor do que é despejado silabicamente aos quatro ventos.
Sabe aquelas históriias que a gente ouve, quase sempre coroadas com um final cômico ou, em geral a velha lição de moral, e que não sabemos ao certo a veracidade ou autoria mas nos contentamos em repassar para garantir que o dever foi cumprido? Pois é... eu tenho uma que trata justamente desse "despejar palavras". Como a memóriia não anda a toda, vou repassá-la com minhas palavras. Lá vaii:
Naquele tempo em que o namoro era emoldurado de uma forma bem diferente da de hoje, havia formalidades para tudo e a tecnologiia mal sonhava em dar o ar de sua graça, um casal muito apaixonado trocava cartas. Mais precisamente ele escreviia para ela. A garota, muito apaixonada, ansiava o encontro com seu amado.Ele lhe dizia coisas lindas. Então lhe veio a seguinte carta:
Minha flor, por você eu atravessaria o oceano atlântico, da América do Sul à Europa, nadando
Por você eu enfrentaria tempestades e dragões
Por você eu saltariia de um avião sem pára-quedas
Por você eu faria greve de fome
Por você eu iria correndo daqui até o fim do mundo.
Por você eu faria tudo
Amanhã irei te visitar.

Se não estiver chovendo.

Pode-se imaginar a frustração da "amada" ao ler essa carta. O abismo entre o que foi dito e o que de fato era verdade era que tinha as proporções geográficas tão mencionadas. E o que era pra ser romântico, ficou cômico e provavelmente adquiriu um desfecho trágico.
Seria cômico.... (Sempre quis usar essa frase aqui. ahuahuahuahua)

De volta! Literalmente. Até quando o pc decidir..

Mais links para o assunto? vê a letra de Por você - Barão Vermelho.




23 de março de 2010

Por que PAIXÃO?


Quem acompanha o Repensando (curiosos, marocas, interessados ou leitores amigos) sabem que não raras vezes o tema do post acaba partiindo de uma dúvida. Dessa veez eu garanto... Não vaai ser diferente. kkk
Sempre tive vontade de saber por que comumente denomina-se Paixão de Cristo o período que nós conhecemos por Páscoa. Por que Paixão? Isso me encafifava os miolos. Paixão, aquele sentimento ou atração que desperta os sentidos do encantado e avassala a razão em torno das atenções desprendiidas ao objeto de admiração (isso foi profundo.. ahuhauahuha). Claro que não. E isso fica bem claro todas as vezes que se revê a históriia constantemente tomada por empréstiimo pelas manifestações artísticas e outras tantas... Mas então que Paixão de Cristo é essa? Por que o empredo dessa palavra?
Bem poderiia ser apenas morte e ressurreição de Cristo, ou Calvário de Cristo, não é? A resposta é NÃO e a explicação vem do latim, ora veja! Pelos googles e debates da viida dá pra perceber que a denominação de paixão nesse caso giira justamente em torno do significado das rememoradas morte e ressurreição de Cristo e vem enfatizar a grandiosidade dos últimos atos dele na condição humana. Paixão do latim passione: sofrimento, sentimento excessivo Basicamente é como se esses últimos atos fossem o ápice, o momento máximo de toda essa história reunida e eternizada por meio do registro que atende pelo nome de Novo Testamento.
Interessante foi perceber que diferente de muitos livros e filmes de enredo fictício a história de Cristo encontra o clímax no seu enlace e não nas págiinas centrais. É quando tudo o que foi dito, pensado, criticado e ensinado encontra subsídio para tomar forma e consagrar - ainda que de forma não tão alegre - o seu desfecho. Fiica claro então que a paixão de Criisto têm mais a ver com o significado dessa palavra no latim.
Talvez esse post tenha siido meio óbvio mas já que tinha a dita dúvida resolvi compartilhar.
Boa Páscoa!



Dá uma olhada

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